O tempo e o espaço, em cidades antigas e pequenas, se fazem sentir de outra forma. Talvez pelo passado que carregam, pela história que tem seu peso, pelo ritmo diferente das coisas...e por isso precisamos, nós - que somos de cidades maiores e mais movimentadas - desacelerar a visão, a percepção e até mesmo o encantamento. Viciados que estamos em rapidez, não percebemos as sutilezas que existem em todo lugar. Só mesmo estando imersos em outra realidade para perceber que alma exige calma. E que às vezes é necessário - para não dizer imperativo - obedecê-la.
Infelizmente só percebemos o quanto é importante parar para reavaliar o valor das coisas e a atenção que dispensamos ao que nos cerca quando tragédias ou pêrdas acontecem. Talvez por isso seja interessante, de vez em quando, sair um pouco de onde se está acostumado. Mudar as referências ou, simplesmente, perdê-las para adquirir novas, cheias de vida e significados.
Falo isso por sempre ter sido alguém que precisasse de certezas, horários marcados, compromissos bem definidos e se, possível, sem imprevistos. Alguém que evitaria muitas novidades por, simplesmente, não saber como encará-las com sucesso... o famoso medo do desconhecido que todos temos em maior ou menor grau.
Viajar é se lançar ao desconhecido. Se permitir deixar o ritmo do lugar fluir em seu próprio movimento. É apurar o olhar e deixá-lo cair como um manto, uma névoa, garoa fina que a tudo cobre... sem pressa e levemente.
E voltar para casa repleto de imagens, sons, cheiros, brisas, vozes, sonhos.
foto 1- São João del Rey / foto 2 - Tiradentes
por Márcia Novaes

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