segunda-feira, 31 de março de 2008

Escrita


Vou rebentar em veias e soltar flagelos e medos.
Falar vergonhas, verdades, vexames.
Expor a carne, o feio, o vão.
Depois andar com o peito rasgado, costelas faltando e o coração pra fora, indecente e feliz.

foto e texto: Márcia Novaes

p.s. Quis que meu coração fosse suculento e selvagem como esse moranguinho, flagrado em plena trilha no parque da Serra dos Órgãos.

quinta-feira, 27 de março de 2008

Surpresa feliz

Participei este ano de um concurso do site Next-Photo cujo tema era retrato da alma, o de dentro ou o de fora... conforme descrito no regulamento. Primeiro concurso que participo depois de ser atingida pela paixão fotográfica.

Não ganhei mas também não fiquei triste pois as fotos vencedoras foram muito boas como pude ver no site. Avisaram que iriam colocar no ar também as fotos finalistas. Claro que a curiosidade era grande para examiná-las e olhar mais criticamente as que mandei para o concurso.

O tempo passou e nada de colocarem no ar as fotos... até hoje, quando recebi um e-mail avisando que as finalistas já estavam disponíveis.

Claro que fui imediatamente na página... e eis que encontro meu nome lá, representada com a foto de Kika, minha cunhada. Que felicidade!

Bom ver que o trabalho não está sendo em vão... que a alegria, o prazer e paixão que sinto é correspondida. Todo amor se quer amado. Toda foto quer ser exposta para mostrar seu momento fugidio, fixo de maneira mágica, para sempre.
foto: Márcia Novaes

quarta-feira, 26 de março de 2008

Encantamento



Meu professor - Hudson Malta - me emprestou um livro que indico a qualquer um no mundo que queira ver porque somos especiais e deveríamos ser agradecidos por vivermos aqui.


Um livro de puro encantamento.

Rain Forest - a photographic journey de Thomas Marent.

Cores, bichos, insetos, plantas...a cada página, um susto.

Li com os olhos bem abertos para nada me escapar. Quando percebia estava suspirando, fazendo Ohhhhhhhh!, pondo a mão na boca por puro espanto.
Não importa se em inglês... que a língua não seja impedimento para o que os olhos degustem tal fina iguaria.
Um livro que está à venda por quase duzentos reais mas procurando bem na internet, no site da livraria cultura você encontrar esse tesouro por menos de oitenta!!!
Um livro pesadão, capa dura, 360 páginas de cor, magia e natureza... ótimo presente para dar aos outros ou a si mesmo. Merecemos beleza.
Quem sabe assim, conhecendo mais o que se destrói tão displicentemente, não nos sentimos compelidos a mexer nossos corpinhos sedentários e nossas cabecinhas ególatras e preguiçosas a trabalhar pela não extinção desse mundo deslumbrante?

fotos: Thomas Marent

Não só de imagem se faz meu mundo


Uvas, as rubis.
Vulvas, as molhadas. Úmidas e sedentas. Desérticas e alagadas. Paradoxais e virgens da natureza.
Que se recolhem e se dão. Sempre puras em suas intenções. Dissonantes mas coerentes com suas harmonias orquestrais. Em um mundo de repressão respiram livremente e transpiram, abundantemente, não importando a convicção ou filosofia de suas donas.

foto e texto : Márcia Novaes

segunda-feira, 24 de março de 2008

Mutação




Depois do incidente do bambu-gigante, me transformei.
Agora subo montanhas, escorrego, tiro fotos, sou mordida por zilhões de insetos... mas sou feliz.

A vida se encheu de significado e objetivos.

Se bem que a transformação já havia começado antes... bem antes... antes dos 40, aos 39 do segundo tempo.

Depois que comprei uma máquina para tirar foto de bichinhos bem pequenos.

Depois que colei mais em meu pai para aprender e conhecer não só a arte da Fotografia...mas a Arte do Leo, o Amor do Leo, o jeito Leo de ser.

Depois que busquei mais minha família e só recebi amor, amor, amor.

Depois que percebi que a verdadeira religião - para mim - é amar a natureza em todos os seus aspectos...e aprender com ela.


E que botei não só os joelhos no chão mas minha cabeça em agradecimento por tudo.

Por viver com quem vivo, por estar cercada de amor, pelas pessoas que encontro e guardo pra mim.

Aí a fotografia tomou outro rumo e importância.

Ela é o meu pulsar.

Reflete como bate meu coração.

O encantamento de meus olhos e minha alma.

A alegria da infância escolhida, pega na surpresa, no susto da magia.

Que a beleza da vida seja sempre o melhor exemplo de luta, sobrevivência, cumplicidade, amor e equilíbrio... andamos tão incertos esses dias.

Que os insetinhos, em suas vidas tão pequenas, nos ensinem com suas cores e extravagâncias, o que tantas vezes teimamos em aprender.

Nascer, lutar e morrer.

Que sejam sempre por boas causas.

E que deixemos, no fim, só amor.


fotos: Márcia Novaes

A importância em ser consciente

Vivemos em um mundo que vai na direção contrária da própria natureza. Não por culpa desse mundo que seguia seu caminho com suas evoluções, tempestades, mutações... como qualquer ser gostaria mesmo atravessando as diversas fases que fazem uma vida.
Vida longa que teria este mundo... não fossem os homens e suas ambições, avarezas, mesquinharias, ganâncias, intolerâncias.
Cada dia me conscientizo mais da necessidade do trabalho individual, da postura pessoal, da atitude em coerência com o pensamento, da ética como ser vivente cuja máxima deveria ser o respeito e a fé pela vida.
Por isso dei uma de "Chico Mendes" semana passada quando ouvi barulho de machado, aquele barulho repetitivo que vai doendo se nos omitimos pois sabemos - não há como negar - que o corte é no tronco de alguma árvore, que a lâmina dói e que a morte chega no silêncio depois dos golpes.
Há um tempo já havia ouvido esses toques repetitivos vindo do mato ao lado de casa. Aquilo me incomodou um pouco mas deixei passar... tão ocupada com minha própria vida e seus afazeres.
Semana passada, como se uma segunda chance para me redimir de minha omissão... eis o mesmo barulho assombrando a mata. Não podia mais me calar.
Saí de casa correndo e adentrei o mato do jeito que estava. Dei de cara com dois homens cortando um bambu gigante. O machado nas mãos e, felizmente, uma cara conhecida. Nunca estamos sozinhos quando lutamos pelo bem.
Interpelei os homens - um dos quais conhecido meu - e falei do meio-ambiente, da lei, da necessidade de cuidarmos de nosso canto, do que nos cerca, do que nos alimenta. Os bambus iam virar adornos para uma loja de móveis. Quatro bambus-gigantes iam ser derrubados. Um já estava no chão, caído, derrotado.
Resumindo... graças à minha intervenção evitei a morte dos outros 3 bambus. Os empregados avisaram o patrão, repassaram o que eu havia dito ( especialmente a sanção judicial e consequente multa) e... FINAL FELIZ! Missão cancelada. - Quem deve, teme.
Muitas vezes é pouco o que podemos fazer... mas podemos. E isso nos deixa mais fortes.
Voltei para casa me sentindo uma gladiadora e agora busco meu exército.
Pois ele existe e cresce a cada dia.
E não tememos NADA.
Que venham os homens maus... nós temos a VIDA ao nosso lado.


foto: Márcia Novaes

quarta-feira, 19 de março de 2008

Pedra do Elefante


Hoje acordei cedo, peguei o ônibus para Teresópolis e fui encontrar Hudson Malta meu professor de fotografia. Demos início à segunda fase de nosso curso. A primeira fase foi ano passado sobre macrofotografia. Teoria e photoshop e a parte prática toda voltada às fotografias no extremo, na difícil arte de retratar insetos e outras coisas minúsculas. A segunda fase agora também é de extremo - como meu professor adora - e fomos em busca de montanhas e vistas altas.
Vou acabar entrando em forma pela fotografia... motivada a ter resistência e força para caminhar por trilhas íngremes e árduas ... sempre em busca da beleza. Sempre em busca do registro da natureza... como forma de troca por ser tão marcante e impressionante seu absoluto. Nesse ABSOLUTO acredito.
Fomos à Pedra do Elefante... uma caminhada "tranquila" para quem está acostumado a escaladas e esportes mais radicais. Nada que uma sedentária e simples mortal encarasse sem sacrifícios, suores e coração na boca. Sem contar o tombo na terra úmida... batizado que eu merecia!
Se valeu? Que venham as pedras do peixe, da tartaruga, de todos os bichos e seres possíveis pois nada se compara a estar lá em cima e de lá de cima ter a vista das nuvens, das montanhas, do TODO que nos cerca. E ainda ganhar de presente as curiosas cenas de insetinhos, aranhas, larvas e um incrível louva-a-deus.
Aprender fotometria com o professor que tenho e com essa natureza toda... bom... sem comentários. Falo mais de Hudson Malta depois ... esse grande fotógrafo e maior ainda amigo que ganhei ano passado. Graças a ele e a toda esse encantamento que ele proporciona à minha alma, serei eternamente grata.
E, como conhecimento puxa conhecimento, depois dessa etapa do curso de fotografia, virão outras focadas em outras áreas com suas respectivas dificuldades, técnicas e aprendizados. Além de um curso de montanhismo que até ontem não estava em meus planos mas que, graças a esse Elefante de pedra e a esse Homem de luz, já faz parte dos objetivos de 2008.


fotos: 1 - Hudson Malta - ao fundo, parte da Pedra do Elefante , 2 - foto tirada de cima da Pedra do Elefante - por Márcia Novaes

terça-feira, 18 de março de 2008

É preciso estudar


Tirar fotos por puro diletantismo pode ser fácil... afinal é só apertar um botãozinho. A máquina no automático, sem filme para rodar, sequer luz, velocidade, diafragma para imaginar ou programar. Afinal... podem pensar... quem não pode tirar uma foto boa?
Ah... claro! Todos podem, vez ou outra, tirar não só uma foto boa...mas uma foto ótima! E as fotos ruins a gente deleta, simples assim!
Agora... quem não gosta de ver a maioria de suas fotos sair boa, sem precisar dizer "foi só para registrar o momento..." como uma desculpa para aquele mal enquadramento, aquele corte nos pés ou de quem será aquela cabeça ou braço ou qualquer outro pedaço de corpo que ficou no meio do assunto a ser fotografado?
Sensibilidade, persistência e um bom equipamento ajudam, com certeza, mas sem a teoria, a técnica e a noção de certas regras fica dificil expandir o conhecimento que se reflete, que se revela no resultado final.
Livros sobre e de fotografia hoje em dia não faltam. Basta procurar nas livrarias e na internet que a oferta é ampla e diversificada. Livros básicos, bons e simples que trazem mastigados os truques e a malícia para uma boa foto.
Ou você acha que é fácil registrar o momento de pessoas, bichos e até mesmo paisagens... sem ter ao menos uma boa percepção dos elementos que compõem uma fotografia esteticamente agradável aos olhos?
Quase nunca é à toa que tal foto seja interessante... que tal imagem seja marcante... que certa fotografia seja forte demais até para se olhar duas vezes sem se emocionar.
Composição, enquadramento, linhas de direção e movimento, regra dos terços, qualidade e comprimento das ondas de luz, pontos de vista criativos e conteúdo são apenas alguns dos ítens que se deve ter em mente quando se sai, qual aventureiro, em busca de bons registros.
Para cada motivo, suas especificações e cuidados. Macrofotografia, fotografia de esportes radicais, fotografia social ( casamentos, batizados ), fotojornalismo, fotografia de moda, retrato, fotografia panorâmica, de animais selvagens, de flores, frutas, fotografia urbana, fotografia de arquitetura, paisagismo, fotografia de comida ( para anúncios, comerciais, propaganda)... são tantas as áreas!
E há um tão imenso complexo de equipamentos, câmeras, objetivas, conversores, filtros, adaptadores, flashes... uma infinidade!
Para cada estilo, noções diferentes. Equipamentos diferentes. Propostas, composições, conteúdos diferentes.
Não é tão fácil assim tirar boas fotos. Não desmerecendo o fotógrafo que apenas aperta o botão... propostas são propostas.
Mas para quem quer se aprofundar... para quem dá um primeiro passo dentro desse universo, fica logo a sugestão.
É preciso estudar. E muito. Ler, ler, ler. Quanto mais, melhor. Sempre.
E fotografar. Porque nem só de teoria vive o mundo.
Mas sem ela... o que seria de nós?


fotos: livros interessantes em inglês que dão informação, conteúdo, dicas, depoimentos de fotógrafos renomados... guias para Ação e Aventura, Pessoas e retratos, Paisagens e Fotografia Preto e Branco. Da Editora National Geographic que dispensa maiores comentários, não?

segunda-feira, 17 de março de 2008

O Espírito Santo



Sem saber comprei o espírito santo esculpido em madeira.
O pombo de asas abertas, a cabeça solenemente abaixada, um sol a explodir por trás. Os raios como asas maiores, luminosas, emoldurando as suas, tão pequenas para tanto vôo.
Um espírito santo feito em madeira, pintado de branco.
O pássaro, o astro de luz, os raios. Todos brancos. Como deve ser a folha antes da primeira palavra. Não importa se Verbo ou Substantivo. Tudo menos o pronome, aquele – próprio, que não seja ele, egocêntrico, o primeiro na origem da vida.
Chega de punhos batendo no peito como soldados romanos a se cumprimentarem.
Basta de primeiras pessoas sempre tão distantes de outras vozes.
Principalmente as passivas, essas pobres.
Em um mundo onde é preciso ação. Ser quem age, quem finca a lança no dorso divino e esquece-se, tão rapidamente, a mão que deu à boca a esponja embebida em vinagre.
Meu espírito santo ficará acima da janela.
Acima da mesa de onde escrevo.
Nos dias de chuva me lembrará da segunda chance dada à humanidade.
Nos dias de sol aproveitará a janela aberta para voar sem dizer pra onde.

Enquanto seu lobo não vem...


Ontem, apesar do tempo não estar firme, saímos de casa para caminhar. Após vários dias de chuva não víamos a hora de pôr as perninhas para fazer algum exercício. Sem guarda-chuvas, horário para voltar, compromissos.
Fomos de peito e pulmão abertos caminhar no bosque... no Parque Nacional da Serra dos Órgãos em Teresópolis. Há muito que queria ir não apenas para tirar fotos - foi o local onde fiz a parte prática do curso de macrofotografia ano passado - mas conhecer, desbravar e estar em contato com a natureza.
Nada melhor que caminhar então com os amigos. Uma analogia à vida... à necessidade de caminharmos acompanhados de verdadeiros amigos. Pessoas com quem trocar confidências, assuntos, experiências, falar bobagens e relaxar. O que seria de nós, seres humanos, trancados em questionamentos, dúvidas, incertezas e interiorizações se não fosse o "outro"? Aquele que nos faz ver quem somos. Quem nos situa muitas vezes no mundo e em nosso próprio dia-a-dia.
Afinal... são os outros, normalmente, a nossa referência de conhecimento. Pela aproximação ou afastamento, pelas afinidades ou discordâncias, pela simpatia ou desconfiança que vamos nos moldando e nos aproximando de nossos semelhantes. Porque semelhante busca semelhante...não há como fugir.

E assim fomos caminhando pelo mato adentro, descobrindo trilhas, metendo o pé na lama - literalmente - subindo, subindo, subindo... fomos ao mirante para ter a vista e a confirmação ( se é que ainda precisamos ) de como somos pequenos nesse mundo de nossos deuses. Todo o cansaço valeu a pena pois íamos conversando, rindo, observando detalhes e tons de verde. Até um tatu cruzou nosso caminho e ficamos, feito crianças, pasmos e encantados com esse bichinho tão interessante!
Até por uma trilha suspensa passamos... e ainda faltam muuuuitas trilhas, muitos caminhos a serem explorados.
O próximo, ainda no Parque Nacional da Serra dos Órgãos, será a trilha para a Pedra do Sino... mais de 10.000 m de altura.. é muita subida!!!
Se ficássemos com medo da chuva... nada aproveitaríamos. Necessária, bonita, presente dos deuses, a chuva que mata nossa sede e de tudo aqui em baixo, jamais pode ser desculpa para nos trancarmos em casa e esquecermos que a vida, embora um pouco mais molhada, pulsa lá fora.
Se pegássemos chuva no caminho... bom... seria um plus, um extra, um brinde que faríamos à nossa amizade.

E quem chegar por último à Pedra do Sino é mulher do padre!



fotos : Márcia Novaes

sábado, 15 de março de 2008

SE VOCÊ AINDA SE ESPANTA COM AS COISAS


Se você ainda se espanta com as coisas... bom sinal!!! O mundo está aí para mostrar que nunca é demais a surpresa . Nunca é demais o estranhamento, o susto com as belezas ou horrores que encontramos desprevinidos. Porque não dá para se estar atento o tempo todo com aquela atenção de quem "já sabe tudo" e nada desconhece. Até porque o grande barato das coisas é o deparar-se com o instigante, o mistério, o famoso desconhecido.
Não precisa muito para se encantar. Basta passear com olhos abertos e gentis... o olhar suave mas inteligente sobre as coisas... a alma em paz e feliz... assim encontraremos maravilhas antes inesperadas.
Viajar... como tenho falado por aqui... com os sentidos alertas para novos conhecimentos. Afinal, de que serve a vida se não fôr para aprendermos mais e mais e assim refinarmos a essência que trazemos dessa humanidade milenar?
Descobrir um novo jeito de sorrir em quem amamos, um brilho de olhar que traz profundidade e plenitude, um inseto que mostra suas cores e detalhes, uma cidade que abre caminhos novos - às vezes tortuosos, inclinados, amplos ... uma pedra de formato diferente, um novo escritor em alguma conversa despretensiosa, o cheiro da cachaça no alambique, o canto de um pássaro ao longe.

Se você ainda se espanta com as coisas... PARABÉNS!!! Você está vivendo de forma absoluta. E só posso lhe desejar que assim continue... como pintor que se surpreende tanto com as cores com que se expressa quanto com a tela branca, que o desafia.


fotos: Márcia Novaes

quinta-feira, 13 de março de 2008

Bicho-grilo colorido






Só para variar um pouco de assunto... pois viajo também e muito nesse mundo diminuto dos insetos que descobri com a macrofotografia.
A diversidade de espécies, cores, formatos.. é espantosa. Melhor que registrar essa beleza é aprender com ela. Afinal nem só de paisagens e outras cidades nossos pensamentos e atitudes são feitos. Podemos aprender e exercitar nossa sensibilidade com tudo que nos cerca. E muitas vezes aquela picada que coça no pé ou no tornozelo pode significar mais do que simplesmente uma coisa chata... pode ser uma boa oportunidade para olharmos para baixo e percebermos que... uau! que mundo interessante!
Esse post é apenas um mostra ínfima de como pode ser divertido tentarmos descobrir de quantos tons e combinações pode ser feita a matemática da vida.



Fotos: Márcia Novaes

terça-feira, 11 de março de 2008

Tempos diferentes



O tempo e o espaço, em cidades antigas e pequenas, se fazem sentir de outra forma. Talvez pelo passado que carregam, pela história que tem seu peso, pelo ritmo diferente das coisas...e por isso precisamos, nós - que somos de cidades maiores e mais movimentadas - desacelerar a visão, a percepção e até mesmo o encantamento. Viciados que estamos em rapidez, não percebemos as sutilezas que existem em todo lugar. Só mesmo estando imersos em outra realidade para perceber que alma exige calma. E que às vezes é necessário - para não dizer imperativo - obedecê-la.
Infelizmente só percebemos o quanto é importante parar para reavaliar o valor das coisas e a atenção que dispensamos ao que nos cerca quando tragédias ou pêrdas acontecem. Talvez por isso seja interessante, de vez em quando, sair um pouco de onde se está acostumado. Mudar as referências ou, simplesmente, perdê-las para adquirir novas, cheias de vida e significados.
Falo isso por sempre ter sido alguém que precisasse de certezas, horários marcados, compromissos bem definidos e se, possível, sem imprevistos. Alguém que evitaria muitas novidades por, simplesmente, não saber como encará-las com sucesso... o famoso medo do desconhecido que todos temos em maior ou menor grau.
Viajar é se lançar ao desconhecido. Se permitir deixar o ritmo do lugar fluir em seu próprio movimento. É apurar o olhar e deixá-lo cair como um manto, uma névoa, garoa fina que a tudo cobre... sem pressa e levemente.
E voltar para casa repleto de imagens, sons, cheiros, brisas, vozes, sonhos.


foto 1- São João del Rey / foto 2 - Tiradentes
por Márcia Novaes

segunda-feira, 10 de março de 2008

Caminhos




Dizem que todos os caminhos levam à Roma... eu digo que todos os caminhos levam ao conhecimento... dos lugares, das pessoas, de si mesmo.
Todos os passos que damos nos levam também a alguma lugar... mais perto ou longe de onde queremos ou precisamos estar.
Ouro Preto, inevitavelmente, nos leva a pensar em passos, caminhos, a fazer analogias em relação à vida e a tudo que a cerca e a alimenta. Provável pelo número absurdo de subidas e descidas, pelo chão de "pé-de-moleque", pela calçada estreita - às vezes inexistente - da cidade.
Quantas vezes não parei para tomar fôlego em nossas andanças fotográficas no começo do dia. Meu pai à frente, verdadeiro e experiente caminhante, abrindo o caminho, me levando a descobrir becos, paisagens, lugares e momentos.
Foram muitas as fotos e, mesmo assim, não deu para registrar a beleza da vida em Ouro Preto como de fato a vi. Fica apenas um rápido piscar de olhos. E a necessidade que se vá, pessoalmente, conhecer.
E que não se demore... pois Ouro Preto não é cidade para pernas fracas ou almas desanimadas.

fotos: Márcia Novaes

Meus companheiros de viagem


Foram mais de 800 km percorridos com muitas paradas... momentos que fizeram a viagem inesquecível pois todo instante mágico era prazerosa e tranquilamente sentido, sem pressa para chegarmos aos nossos destinos. Destinos que soavam mais como uma desculpa para estarmos juntos fazendo essa viagem de comunhão e resgate.. tanto do passado como do presente, celebrando a vida e o amor que nos unia.
Ouro Branco, Ouro Preto, Mariana, Prados, Lagoa Dourada, São João del Rey, Congonhas e Tiradentes. Cada cidade com seu charme, história e referência para meu pai e meu tio. Talvez por isso tenha sido tão especial e soubemos, tenho certeza, tia Lucinha e eu, apreciar e acompanhar a verdadeira viagem que esses dois irmãos estavam fazendo. Lembranças, infâncias, histórias e "causos"... foram diversos os motivos para celebrar, inúmeros os "tim-tins" que demos com suco, refrigerante e cerveja... muita cervejinha... eles merecem.


foto: tia Lucinha, tio Haroldo e papai
por Márcia Novaes

sexta-feira, 7 de março de 2008

Viagem


Foram apenas cinco dias mas o suficiente para deixar a alma mais leve e renovada. Sem conotações puramente espirituais... viajar parece que alimenta o pensamento. Ver coisas novas, vivenciar pessoas em outras realidades, ver outras paisagens, ruas, calçamentos, lojas, ouvir outra forma de falar, estar no meio de outra forma de viver. Porque todos somos diferentes e, em outras cidades, reagimos diferentemente.

O interior de Minas é mais silencioso. E esse silêncio parece entrar pelos poros, modificar a respiração.

Tudo é tempo de contemplação e passos. Porque foram muitos os dados nestes dias em que parávamos sempre que havia algo que chamasse a atenção, sem pressa de chegar ao destino pois nosso destino era o do caminho. Asfalto, terra, pedra.

Ouro Branco, Ouro Preto, Mariana, Congonhas, Prados, Lagoa Dourada, São João del Rey e Tiradentes. Cada cidade com seu rosto.

Suas pessoas, igrejas, cruzes.

Seus cachorros nas ruas.

Em cada cidade acordávamos cedo - meu pai e eu - e, antes das 7 da manhã já estávamos caminhando pelas ruas tão desconhecidas para mim apenas. Tirando fotos, observando, vendo que a grande magia da fotografia é o revelar que acontece por dentro.
foto: Márcia Novaes

quinta-feira, 6 de março de 2008

E por falar em AMOR...




Sei que ainda não falei de amor por aqui... muito menos relacionamentos que não impliquem amor propriamente dito mas uma grande necessidade de se expressar sexualmente... o mundo dos pequenininhos dentro desse mundo maior em que vivemos também se movimenta e se assanha! E como dizem os mais estudados... se os insetos fossem maiores, provavelmente dominariam o mundo pois estão em muito maior número que qualquer outra espécie ou espécies juntas!!! Adivinha o motivo!!!
fotos: Márcia Novaes

Voltei!!!




Voltei da viagem por algumas cidades históricas de Minas Gerais com 972 fotos tiradas! Acho que assim bato o record do Guiness! Agora só me resta o árduo trabalho de selecionar, escolher bem escolhido o que postar por aqui. Por enquanto ponho algumas fotos de macrofotografia - o que quase não tirei por lá...
fotos: Márcia Novaes