segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Afins


Dizem e é sabido que os animais de estimação, geralmente, são parecidos com seus respectivos donos... ou vice-versa. Parece que há uma estranha atração que faz com que as pessoas escolham bichinhos semelhantes a si próprios. Inconscientemente ou não... é fato. Basta olharmos nas ruas, nos calçadões, passearmos por praças, jardins... e veremos como é engraçada essa ironia. Teimamos em nos perpetuar. Seja através de filhos... ou cachorros, gatos, tartarugas, periquitos.
Procuramos essas semelhanças também no nível espiritual... buscamos nas personalidades alheias algo que nos faça reconhecer a alma que temos. O melhor espelho ainda é o outro.
Pode parecer bobagem ou a coisa mais óbvia do mundo mas é sempre bom se tocar de que se não nos sentimos bem em nosso pretenso círculo de amizade... é porque não estamos bem afinados com nós mesmos. E aí deveria soar um alarme bem estridente para evitarmos perder tempo, fazer tolice, desviar do caminho da felicidade. Só que não há um pio sequer para dar a deixa. Nada que nos indique - se não tivermos sensibilidade suficiente - de que estamos sabotando a vida, fugindo do que pode nos realizar, esquecendo que precisamos refletir e nos vermos refletidos em olhares que brilham, em outros rostos, outros sorrisos. E como é bom e pleno quando isso acontece!!! A sensação de vazio - essa incompletude que visceralmente carregamos - desaparece ( ou não se faz tão presente ), a alegria se torna espontânea e explode como fogos em pleno Reveillon, fica-se com vontade de ser mais, fazer mais, ter projetos, sonhos, planos... muitos planos a serem partilhados e vividos.
Pena que somos tão distraídos e perdemos tanto tempo achando que a culpa é nossa por não enxergarmos no outro algo de nós mesmos. Achando que o espelho está embaçado e é só uma questão de tempo ... como se tivéssemos todo o tempo do mundo.
Somos distraídos e pouco observadores.
Eu sou. Quantas vezes não percebi um quadro novo na parede, a cor de uma blusa ou minha própria solidão.
Ainda bem que a vida nos presenteia a todo momento... e hoje posso dizer que vejo além de meu próprio reflexo e que brilham... como brilham os olhos dos novos amigos.

domingo, 28 de setembro de 2008

Um tempo

Precisei de um tempo.
Um tempo sem ler, sem escrever, sequer tirar fotos ou vislumbrar belezas.
Precisava de olhos limpos de passado. Limpos de ruídos, de sujeiras, de pedaços de sentimentos que se perderam ou que não se valeram.
Precisava de um dia diferente. Que começasse me dando um beijo. Um abraço. Que me mostrasse desejo logo no primeiro contato com a pele. Um dia moreno. De olhos escuros. Um dia com o calor de um novo amor.
Agora estou de volta.
Aos livros. Às palavras. Ao olhar de encantamento pelos seres, pelas coisas, por tudo mágico que nos cerca.
De volta às fotos. Tantas oportunidades. Tantas possibilidades de fixar o mundo em um instante para depois mostrar ao ser amado que não estava junto. Olha! Eis como vejo a vida. Como enquadro meus sentimentos. Como agora tudo tem foco e profundidade de campo.
A objetiva continua subjetiva. Não há como escapar. Somos sujeitos. Pessoas. Mentes por trás de olhos. Pensamos. Raciocinamos. Tiramos conclusões... às vezes erradas e tolas.. mas nossas.
O importante é continuar.
E isso, objetivamente posso afirmar: continuo.