
Pensar demais às vezes é doloroso e, muitas outras vezes, inútil e desperdício de energia. Pensar pouco, por sua vez, é fútil, vazio, sem sentido. O equilíbrio é o "x" da questão. Pena que poucos sabem quando ele chega ou como alcançá-lo. Infelizmente momentos tristes de pêrda ou decepção nos fazem parar para pensar. Pensar no sentido de refletir a vida, reorganizar as idéias e, com isso, as prioridades, os anseios, as reais necessidades. O valor que damos às coisas, às pessoas, à nós mesmos.Chegar aos 40, para mim, foi um marco. Daqueles tipo do descobrimento, que alcançam a areia do continente e enxergam, pela primeira vez, um mundo novo e selvagem.
Assim como a vida que tanto nos traz alegria mas inúmeros sustos, baques, tombos.
Trabalhar sem se exaurir ou trazer para casa os problemas pendentes do horário comercial.
Não pensar só no que gostaria de fazer se tivesse isso ou aquilo mas curtir, aproveitar cada segundo com o que a realidade nos presenteia. Sem parar de sonhar, claro... somos seres que não se contentam com a terra que pisam.
Tirar fotos e olhar o mundo com olhos de composição, enquadramento, cores e luzes... me fez, sim, junto aos 40 anos, pensar na vida. Na velocidade dela e na necessidade de puxar o freio de vez em quando para evitar aquela pergunta no meio de uma conversa: o que você disse mesmo? Merecemos ser ouvidos com atenção, com olhos atentos, com o peito aberto para troca de carinhos e sentimentos.

Paro toda vez que vejo algo bonito... seja uma flor seca, uma formiga atravessando o caminho carregando seu alimento, um beija-flor descansando em um galho de árvore, um caramujo se alimentando... é a vida pedindo um pouco de atenção.
E sem parecer piegas ou dona da verdade por dizer que o mundo precisa de nós, que o meio-ambiente precisa de nós, que a natureza precisa de nós... não comungo da mesma pretensão ou egoísmo.
Toda vez que paro para ver detalhes mesmo dessa natureza... e me admiro de tudo ser assim, como é, sem precisarmos fazer nada... bom... nós é que precisamos parar para pensar, refletir e ver que o amor que existe nas pequenas coisas por simplesmente estarem vivas, pulsa mais forte em nosso peito se, simplesmente, deixarmos.
Quem precisa de quem afinal?
Fotos: Márcia Novaes
