terça-feira, 15 de abril de 2008

Às vezes é hora de parar


Pensar demais às vezes é doloroso e, muitas outras vezes, inútil e desperdício de energia. Pensar pouco, por sua vez, é fútil, vazio, sem sentido. O equilíbrio é o "x" da questão. Pena que poucos sabem quando ele chega ou como alcançá-lo. Infelizmente momentos tristes de pêrda ou decepção nos fazem parar para pensar. Pensar no sentido de refletir a vida, reorganizar as idéias e, com isso, as prioridades, os anseios, as reais necessidades. O valor que damos às coisas, às pessoas, à nós mesmos.
Chegar aos 40, para mim, foi um marco. Daqueles tipo do descobrimento, que alcançam a areia do continente e enxergam, pela primeira vez, um mundo novo e selvagem.
Assim como a vida que tanto nos traz alegria mas inúmeros sustos, baques, tombos.
Trabalhar sem se exaurir ou trazer para casa os problemas pendentes do horário comercial.
Não pensar só no que gostaria de fazer se tivesse isso ou aquilo mas curtir, aproveitar cada segundo com o que a realidade nos presenteia. Sem parar de sonhar, claro... somos seres que não se contentam com a terra que pisam.
Tirar fotos e olhar o mundo com olhos de composição, enquadramento, cores e luzes... me fez, sim, junto aos 40 anos, pensar na vida. Na velocidade dela e na necessidade de puxar o freio de vez em quando para evitar aquela pergunta no meio de uma conversa: o que você disse mesmo? Merecemos ser ouvidos com atenção, com olhos atentos, com o peito aberto para troca de carinhos e sentimentos.
Paro toda vez que vejo algo bonito... seja uma flor seca, uma formiga atravessando o caminho carregando seu alimento, um beija-flor descansando em um galho de árvore, um caramujo se alimentando... é a vida pedindo um pouco de atenção.
E sem parecer piegas ou dona da verdade por dizer que o mundo precisa de nós, que o meio-ambiente precisa de nós, que a natureza precisa de nós... não comungo da mesma pretensão ou egoísmo.
Toda vez que paro para ver detalhes mesmo dessa natureza... e me admiro de tudo ser assim, como é, sem precisarmos fazer nada... bom... nós é que precisamos parar para pensar, refletir e ver que o amor que existe nas pequenas coisas por simplesmente estarem vivas, pulsa mais forte em nosso peito se, simplesmente, deixarmos.
Quem precisa de quem afinal? Fotos: Márcia Novaes

terça-feira, 8 de abril de 2008

Livros em pdf

Para quem gosta de ler livros sobre e de fotografia mas acha - com certeza - os livros à venda nas livrarias muito caros, existe uma opção interessante que descobri há pouco tempo. Para quem sabe ler em inglês é um campo vasto de opções... só precisa ter instalado no computador o programa Adobe Acrobat Reader. É só ir no site e escolher Books.. photography. Um monte de opções para download : Dennis Curtin - Digital Photography, Begginer's guide to black and white photography, An Introduction to macro photography, Langford's advanced photography, outdoor photographer: articles , The complete guide to Raw photography... e muitos outros. Para quem não lê em inglês, encontrei : Curso de Fotografia Senac, Apostila Curso de Fotografia por Eduardo Justiniano e, em espanhol, Curso Nikon Estetica de La Fotografia.
É só baixar e depois ter a paciência de ler no computador. Não é a mesma coisa de se ler um livro concreto, real, com folhas que tocamos... mas é barato e está ali.. à disposição de quem quer aproveitar o que a internet tem de melhor. Conhecimento acessível e grátis. Um mundo de oportunidades que a tecnologia disponibiliza. O lado bom da força.

domingo, 6 de abril de 2008

Escrita


É no bote da aranha que encontras a artimanha da vida.
A paciência na espera, o mimetismo, aos poucos, ao ambiente que te cerca e onde esperas o que é teu.
O olhar atento e o desejo concentrado com o veneno que em breve te trará o alimento que precisas.
Cada movimento calculado, riscos de fome, a carne a ser sugada a se misturar com tuas próprias entranhas.
É no bote da aranha, no momento fugaz onde vida e morte se encontram, que se vê o momento único da volta, do fecho, do infinito a se completar.
Para depois, uma vez mais, te misturar às folhas, te mesclar às flores que te disfarçam e começar tudo outra vez.


foto e texto: Márcia Novaes

sexta-feira, 4 de abril de 2008

O tempo



Hoje leio no jornal que há 18 anos morria Cazuza. 32 anos de idade.

Há 18 anos eu tinha dez a menos que ele. Tanto tempo parecia nos separar.

Hoje, com 40, olho para trás e o vejo lá longe. Ficou na estrada com outros tantos. A mesma estrada onde ainda caminho. Hoje.
O tempo apaga a matéria mas não a lembrança.

O tempo desfaz contornos, desfoca detalhes, perde tantas vezes o verdadeiro tom das vozes de quem tanto amamos um dia. Pessoas, lugares, seres que nos disseram muito e calaram fundo em nosso peito e olhar.
O tempo dissolve muita coisa. E às vezes não queremos que se dissipe o que nos foi importante. Queremos retornar, sempre, àquele sorriso de quem já não está conosco.
Rever aquela rua... hoje tão diferente.
O carro onde andávamos no banco de trás por sermos pequenos, os braços em volta do pescoço da mãe, o vapor de nossa respiração no vidro da janela.
Talvez por isso hoje perceba a importância da fotografia. E isso me apaixona mais. Já que é vida que ela traz.
É presença. Lembrança. Beleza.
O que fomos, o que amamos, o que o tempo levou mas que ninguém pode duvidar que existiu. Olha lá... está registrado. Para sempre eternizado neste mundo de concretudes. É real. Palpável.
Tão real e palpável como o amor que sentimos quando revemos fotos antigas. A família ainda inteira. Os primos. Avós.
Revigorados pelos detalhes que havíamos esquecidos, nos tornamos mais fortes, sonhadores, esperançosos de que tudo seja melhor...já que tivemos um passado tão lindo.
Que o futuro seja ainda mais belo.
Longa vida à fotografia.
foto: Márcia Novaes - Ouro Preto