segunda-feira, 17 de março de 2008

O Espírito Santo



Sem saber comprei o espírito santo esculpido em madeira.
O pombo de asas abertas, a cabeça solenemente abaixada, um sol a explodir por trás. Os raios como asas maiores, luminosas, emoldurando as suas, tão pequenas para tanto vôo.
Um espírito santo feito em madeira, pintado de branco.
O pássaro, o astro de luz, os raios. Todos brancos. Como deve ser a folha antes da primeira palavra. Não importa se Verbo ou Substantivo. Tudo menos o pronome, aquele – próprio, que não seja ele, egocêntrico, o primeiro na origem da vida.
Chega de punhos batendo no peito como soldados romanos a se cumprimentarem.
Basta de primeiras pessoas sempre tão distantes de outras vozes.
Principalmente as passivas, essas pobres.
Em um mundo onde é preciso ação. Ser quem age, quem finca a lança no dorso divino e esquece-se, tão rapidamente, a mão que deu à boca a esponja embebida em vinagre.
Meu espírito santo ficará acima da janela.
Acima da mesa de onde escrevo.
Nos dias de chuva me lembrará da segunda chance dada à humanidade.
Nos dias de sol aproveitará a janela aberta para voar sem dizer pra onde.

2 comentários:

Unknown disse...

Marcinha, parabéns!!!
Lindo o blog, lindo o texto e lindas as fotos!
Parabéns por ter herdado o dom das palavras bem escritas!!!
Tenho um "causo" curioso, tb sobre o Espírito Santo!
Certa vez nossa tia "Mamela" me deu uma pulseira com um pingente, que gostei muito e usei bastante. Um tempo depois nos encontramos e ela ficou feliz em me ver usando a pulseira! Eu logo respondi: "Pena que perdi o pingente do passarinho!" E ela: "Menina, que passarinho o quê, era o Espírito Santo! Vc não sabia? kkkkkkkk"
Estou aqui imaginando porque nossos pais não nos instruíram sobre o Espírito Santo e outros tantos assuntos religiosos? Será algum trauma de infância?
Beijos enormes!
Sua prima, Cris

Anônimo disse...

Também sou uma ignorante no que diz respeito a assuntos religiosos...mas sinto a presença Dele o tempo todo ao meu lado, É muito bom ter certeza da Sua presença, né?
Acho realmente que é um trauma de infância dos nossos papais. Mas, todos eles, meus tios e meu pai, foram presentes de Deus para nós, não?
Beijocas,
da prima Virgínia