

Sei que parece rasgação de seda, que sou suspeita, que "puxo brasa pra minha sardinha"... mas é inegável o talento de um cara que a vida inteira... ou praticamente todo o tempo que pôde, se dedicou à fotografia.
Alguém que nasceu em Lagoa Dourada em Minas Gerais, teve mais 7 irmãos, saiu cedo de casa para trabalhar e ainda era meio que um pai para os irmãos mais novos.
Alguém que batalhou um espaço para chamar de seu e se aposentou como bancário do Banco do Brasil tendo criado duas filhas em colégio particular, com aulas de natação em clube e inglês na Cultura Inglesa. Sem contar as férias em Paquetá, Caxambu e Cabo Frio.
Ele me disse que começou a fotografar em 1969... mas para mim ele sempre fotografou... com aqueles olhos verdes que se tornam tantas vezes azuis.
Fotografou com seu jeito quieto mas ponderado. Suas poucas e certeiras palavras. Seu tímido mas sempre muito especial carinho.
Graças a ele, eu e minha irmã temos nosso registro no mundo. Olhamos para as crianças que fomos, suas expressões, suas atitudes e olhares como se a nos perguntar: então... o que fizeram de nós?
Espero ter sempre boas respostas para dar. Ao menos o suor da tentativa.
É muito bom olhar para trás e ver essas imagens.
Olhar para frente e ver meu pai.
O mesmo jeito tranquilo... agora aposentado e ocupando todo seu tempo com mil e um afazeres artísticos.... satisfeito ainda com a fotografia. Mantendo a paixão antiga pela velha máquina e seu velho filme mas renovado com as possibilidades digitais.
E isso ainda dá mais orgulho.
Ele não pára no tempo e segue caminhando silencioso e tranquilo.
Quem viver, verá.