sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Meus mortos

Meus mortos me acordam sempre em espanto.
Tocam meus olhos e falam, sem palavras, que tudo é pequeno e cabe na palma da mão.
Meus mortos dizem por tantos meios diferentes que o único que não se perde é o amor.
Esse, que assume todas as formas, todos os contornos e transborda nas camas, nos quartos, nas salas, casas, profundezas, imensidões.
O único que não se perde.
Porque o resto sempre terra será. Jamais semente.
E meus mortos, meus mortos não mentem.

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Tua imagem

Assim fica tua imagem no meu corpo: riscada nas costas em traços vermelhos. Na ardência do sexo. No suor que não seca.
Assim fica feito mancha, marca, cicatriz, tatuagem. Desenho que se faz nas manhãs. Nas noites insones. Nas palavras não escritas.
Assim fica tua imagem no meu corpo: como dor, caminho, travessia.
A me gritar todo dia: VAI.

Pergunta-me sempre

Pergunta-me sempre: o que sente pelo amor? Como se o amor fosse seu nome, sua identidade, a forma como lhe vejo, sinto, possuo.
À tarde e à noite outra vez pergunta-me: sentiu falta do amor? Como se o amor fosse sua presença, seu andar pela casa, o movimentar suave de seu corpo sobre o meu, o calor que me faz sentir em plena madrugada, lua alta no céu, nossos braços e rostos sublinhados pela luz de fora.
Essa forma de querer saber sobre o amor é o que dá sentido ao jeito que olha as coisas, toca os objetos, folheia meus tantos livros.
E mesmo sabendo que sempre pergunta, é a surpresa que me abraça quando me segura a mão e sussurra: E o amor, como vai?
E quase respondo, sorriso nos lábios, que ele não vai a lugar algum já que está à minha frente, a tocar com seus longos dedos a palma de minha mão e o espaço inteiro de meu coração.

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

O que fazer quando não se deveria fazer nada

O que fazer quando sentimos uma vontade louca de romper as amarras da reserva, do pudor pessoal, da intimidade controlada, do não propício a ver a luz do dia e, não suportando mais a tentação, abrimos a boca e entregamos, de graça, todos nossos segredos, gostos,desejos, sonhos e conquistas ao primeiro bandido que aparece? Seja vestido de desconhecido ou falso e solícito amigo? Ou até mesmo aquele colega de infância que você não vê ha 30 anos. Por que o encontra e se abre assim, tão sorridente, com olhos de criança?
Pessoas mudam. Na nossa frente e às nossas costas. Antes de nos conhecerem, enquanto falam conosco e no breve instante de um tchau cheio de calor humano.
Calor.
A traição também é quente. E a inveja. O mau-olhado. Todos quentes. Ferventes. Borbulhando no fogo alto do desejo proibido, na vontade do alheio, na mesquinhez de ser e ter o melhor.
O que fazer então quando as novidades vêm à boca e esbarram nos dentes?
Deveríamos gritar de nervoso e surpresa e sair correndo até mergulhar no mar. Piscina também serve. Ou lago. Rio. Poça. O importante é afogar as palavras. Não permitir que as pobres inocentes se tornem armas afiadas demais para nossa pouca armadura. Frágil e inútil proteção à maldade do mundo. Do que existe sob o mundo já que o infeliz até hoje não entende o porquê de seu eixo ser inclinado desse jeito.
Aprumemo-nos então e mãos à boca.
Masque chiclete, cante uma canção, recite um poema, conte até mil em voz alta, mesmo que pareça loucura.
Melhor passar por doida que se arrepender depois.

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Afins


Dizem e é sabido que os animais de estimação, geralmente, são parecidos com seus respectivos donos... ou vice-versa. Parece que há uma estranha atração que faz com que as pessoas escolham bichinhos semelhantes a si próprios. Inconscientemente ou não... é fato. Basta olharmos nas ruas, nos calçadões, passearmos por praças, jardins... e veremos como é engraçada essa ironia. Teimamos em nos perpetuar. Seja através de filhos... ou cachorros, gatos, tartarugas, periquitos.
Procuramos essas semelhanças também no nível espiritual... buscamos nas personalidades alheias algo que nos faça reconhecer a alma que temos. O melhor espelho ainda é o outro.
Pode parecer bobagem ou a coisa mais óbvia do mundo mas é sempre bom se tocar de que se não nos sentimos bem em nosso pretenso círculo de amizade... é porque não estamos bem afinados com nós mesmos. E aí deveria soar um alarme bem estridente para evitarmos perder tempo, fazer tolice, desviar do caminho da felicidade. Só que não há um pio sequer para dar a deixa. Nada que nos indique - se não tivermos sensibilidade suficiente - de que estamos sabotando a vida, fugindo do que pode nos realizar, esquecendo que precisamos refletir e nos vermos refletidos em olhares que brilham, em outros rostos, outros sorrisos. E como é bom e pleno quando isso acontece!!! A sensação de vazio - essa incompletude que visceralmente carregamos - desaparece ( ou não se faz tão presente ), a alegria se torna espontânea e explode como fogos em pleno Reveillon, fica-se com vontade de ser mais, fazer mais, ter projetos, sonhos, planos... muitos planos a serem partilhados e vividos.
Pena que somos tão distraídos e perdemos tanto tempo achando que a culpa é nossa por não enxergarmos no outro algo de nós mesmos. Achando que o espelho está embaçado e é só uma questão de tempo ... como se tivéssemos todo o tempo do mundo.
Somos distraídos e pouco observadores.
Eu sou. Quantas vezes não percebi um quadro novo na parede, a cor de uma blusa ou minha própria solidão.
Ainda bem que a vida nos presenteia a todo momento... e hoje posso dizer que vejo além de meu próprio reflexo e que brilham... como brilham os olhos dos novos amigos.

domingo, 28 de setembro de 2008

Um tempo

Precisei de um tempo.
Um tempo sem ler, sem escrever, sequer tirar fotos ou vislumbrar belezas.
Precisava de olhos limpos de passado. Limpos de ruídos, de sujeiras, de pedaços de sentimentos que se perderam ou que não se valeram.
Precisava de um dia diferente. Que começasse me dando um beijo. Um abraço. Que me mostrasse desejo logo no primeiro contato com a pele. Um dia moreno. De olhos escuros. Um dia com o calor de um novo amor.
Agora estou de volta.
Aos livros. Às palavras. Ao olhar de encantamento pelos seres, pelas coisas, por tudo mágico que nos cerca.
De volta às fotos. Tantas oportunidades. Tantas possibilidades de fixar o mundo em um instante para depois mostrar ao ser amado que não estava junto. Olha! Eis como vejo a vida. Como enquadro meus sentimentos. Como agora tudo tem foco e profundidade de campo.
A objetiva continua subjetiva. Não há como escapar. Somos sujeitos. Pessoas. Mentes por trás de olhos. Pensamos. Raciocinamos. Tiramos conclusões... às vezes erradas e tolas.. mas nossas.
O importante é continuar.
E isso, objetivamente posso afirmar: continuo.

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Vamos celebrar


Vamos celebrar a união mesmo que, todo dia, descubramos detalhes, coisinhas, ínfimas pistas das pessoas que amamos de que não são perfeitas. Nunca foram.
Vamos começar o dia acordando e nos desejando um Ótimo dia! já que tantos conhecidos ou ilustres anônimos não tiveram a mesma sorte.
Vamos saudar os dias chuvosos que nos fazem parar, tantas vezes, para pensar e aqueles sentimentos melancólicos que, à primeira vista, não nos agradam, tantas outras vezes são os propulsores de grandes mudanças na vida.
Vamos teimar em achar que a vida é possível e que o encantamento não tem que morrer quando descobrimos que nem tudo é colorido. Há arte no preto e branco.
Aliás... li em uma entrevista um fotógrafo ( que infelizmente agora não lembro o nome ) dizer: o mundo é colorido mas a vida é em preto e branco. E talvez ele tenha razão. Já viu sentimento e emoção serem tão bem retratados quanto em preto e branco?
Vamos acreditar em deuses felizes. Alegres. Guerreiros ou não, ciumentos, ansiosos... qualquer coisa menos tristes e derrotistas. Vamos esquecer a Cruz e celebrar o pão e o vinho.
Porque tudo é festa se nos considerarmos convidados de honra.


foto: Márcia Novaes

terça-feira, 13 de maio de 2008

No Flickr


Depois de um longo inverno... acabei o videozinho que queria fazer mas ainda não pus no Youtube pois para cada Mb de vídeo lá se vão cinco minutos para upload... pois então... e isso em banda larga com uma boa velocidade, o que não existe por aqui. A banda larga que tenho aqui tem 1/3 da velocidade da que eu tinha no Rio de Janeiro, capital. Então... o vídeo tem 27,5 Mb... lá se vão quantos infindáveis minutos? Quando encontrar o tempo e a paciência necessárias para mandar para o Youtube, aviso.

Enquanto isso... me inscrevi no Flickr e estou, aos poucos ( pois o dia só tem 24 horas ), colocando algumas fotos lá. Você me encontra aqui

Espero que gostem... depois falo mais.

sábado, 3 de maio de 2008

Não sumi ou parei de postar não!!!

Só um aviso rápido aos navegantes...não sumi ou parei de postar por aqui não... é só falta de tempo para sentar e escrever algo que mereça ser lido pois escrever por escrever apenas não faz parte do meu show.
Ando editando minhas fotos e isso toma um tempo danado! Quero fazer um videozinho de fotos macro com música instrumental de Hudson Malta para disponibilizar depois no You Tube, portanto, é só um pouquinho mais de tempo para tudo correr bem e ter algo bacana para mostrar, ok?

terça-feira, 15 de abril de 2008

Às vezes é hora de parar


Pensar demais às vezes é doloroso e, muitas outras vezes, inútil e desperdício de energia. Pensar pouco, por sua vez, é fútil, vazio, sem sentido. O equilíbrio é o "x" da questão. Pena que poucos sabem quando ele chega ou como alcançá-lo. Infelizmente momentos tristes de pêrda ou decepção nos fazem parar para pensar. Pensar no sentido de refletir a vida, reorganizar as idéias e, com isso, as prioridades, os anseios, as reais necessidades. O valor que damos às coisas, às pessoas, à nós mesmos.
Chegar aos 40, para mim, foi um marco. Daqueles tipo do descobrimento, que alcançam a areia do continente e enxergam, pela primeira vez, um mundo novo e selvagem.
Assim como a vida que tanto nos traz alegria mas inúmeros sustos, baques, tombos.
Trabalhar sem se exaurir ou trazer para casa os problemas pendentes do horário comercial.
Não pensar só no que gostaria de fazer se tivesse isso ou aquilo mas curtir, aproveitar cada segundo com o que a realidade nos presenteia. Sem parar de sonhar, claro... somos seres que não se contentam com a terra que pisam.
Tirar fotos e olhar o mundo com olhos de composição, enquadramento, cores e luzes... me fez, sim, junto aos 40 anos, pensar na vida. Na velocidade dela e na necessidade de puxar o freio de vez em quando para evitar aquela pergunta no meio de uma conversa: o que você disse mesmo? Merecemos ser ouvidos com atenção, com olhos atentos, com o peito aberto para troca de carinhos e sentimentos.
Paro toda vez que vejo algo bonito... seja uma flor seca, uma formiga atravessando o caminho carregando seu alimento, um beija-flor descansando em um galho de árvore, um caramujo se alimentando... é a vida pedindo um pouco de atenção.
E sem parecer piegas ou dona da verdade por dizer que o mundo precisa de nós, que o meio-ambiente precisa de nós, que a natureza precisa de nós... não comungo da mesma pretensão ou egoísmo.
Toda vez que paro para ver detalhes mesmo dessa natureza... e me admiro de tudo ser assim, como é, sem precisarmos fazer nada... bom... nós é que precisamos parar para pensar, refletir e ver que o amor que existe nas pequenas coisas por simplesmente estarem vivas, pulsa mais forte em nosso peito se, simplesmente, deixarmos.
Quem precisa de quem afinal? Fotos: Márcia Novaes

terça-feira, 8 de abril de 2008

Livros em pdf

Para quem gosta de ler livros sobre e de fotografia mas acha - com certeza - os livros à venda nas livrarias muito caros, existe uma opção interessante que descobri há pouco tempo. Para quem sabe ler em inglês é um campo vasto de opções... só precisa ter instalado no computador o programa Adobe Acrobat Reader. É só ir no site e escolher Books.. photography. Um monte de opções para download : Dennis Curtin - Digital Photography, Begginer's guide to black and white photography, An Introduction to macro photography, Langford's advanced photography, outdoor photographer: articles , The complete guide to Raw photography... e muitos outros. Para quem não lê em inglês, encontrei : Curso de Fotografia Senac, Apostila Curso de Fotografia por Eduardo Justiniano e, em espanhol, Curso Nikon Estetica de La Fotografia.
É só baixar e depois ter a paciência de ler no computador. Não é a mesma coisa de se ler um livro concreto, real, com folhas que tocamos... mas é barato e está ali.. à disposição de quem quer aproveitar o que a internet tem de melhor. Conhecimento acessível e grátis. Um mundo de oportunidades que a tecnologia disponibiliza. O lado bom da força.

domingo, 6 de abril de 2008

Escrita


É no bote da aranha que encontras a artimanha da vida.
A paciência na espera, o mimetismo, aos poucos, ao ambiente que te cerca e onde esperas o que é teu.
O olhar atento e o desejo concentrado com o veneno que em breve te trará o alimento que precisas.
Cada movimento calculado, riscos de fome, a carne a ser sugada a se misturar com tuas próprias entranhas.
É no bote da aranha, no momento fugaz onde vida e morte se encontram, que se vê o momento único da volta, do fecho, do infinito a se completar.
Para depois, uma vez mais, te misturar às folhas, te mesclar às flores que te disfarçam e começar tudo outra vez.


foto e texto: Márcia Novaes

sexta-feira, 4 de abril de 2008

O tempo



Hoje leio no jornal que há 18 anos morria Cazuza. 32 anos de idade.

Há 18 anos eu tinha dez a menos que ele. Tanto tempo parecia nos separar.

Hoje, com 40, olho para trás e o vejo lá longe. Ficou na estrada com outros tantos. A mesma estrada onde ainda caminho. Hoje.
O tempo apaga a matéria mas não a lembrança.

O tempo desfaz contornos, desfoca detalhes, perde tantas vezes o verdadeiro tom das vozes de quem tanto amamos um dia. Pessoas, lugares, seres que nos disseram muito e calaram fundo em nosso peito e olhar.
O tempo dissolve muita coisa. E às vezes não queremos que se dissipe o que nos foi importante. Queremos retornar, sempre, àquele sorriso de quem já não está conosco.
Rever aquela rua... hoje tão diferente.
O carro onde andávamos no banco de trás por sermos pequenos, os braços em volta do pescoço da mãe, o vapor de nossa respiração no vidro da janela.
Talvez por isso hoje perceba a importância da fotografia. E isso me apaixona mais. Já que é vida que ela traz.
É presença. Lembrança. Beleza.
O que fomos, o que amamos, o que o tempo levou mas que ninguém pode duvidar que existiu. Olha lá... está registrado. Para sempre eternizado neste mundo de concretudes. É real. Palpável.
Tão real e palpável como o amor que sentimos quando revemos fotos antigas. A família ainda inteira. Os primos. Avós.
Revigorados pelos detalhes que havíamos esquecidos, nos tornamos mais fortes, sonhadores, esperançosos de que tudo seja melhor...já que tivemos um passado tão lindo.
Que o futuro seja ainda mais belo.
Longa vida à fotografia.
foto: Márcia Novaes - Ouro Preto

segunda-feira, 31 de março de 2008

Escrita


Vou rebentar em veias e soltar flagelos e medos.
Falar vergonhas, verdades, vexames.
Expor a carne, o feio, o vão.
Depois andar com o peito rasgado, costelas faltando e o coração pra fora, indecente e feliz.

foto e texto: Márcia Novaes

p.s. Quis que meu coração fosse suculento e selvagem como esse moranguinho, flagrado em plena trilha no parque da Serra dos Órgãos.

quinta-feira, 27 de março de 2008

Surpresa feliz

Participei este ano de um concurso do site Next-Photo cujo tema era retrato da alma, o de dentro ou o de fora... conforme descrito no regulamento. Primeiro concurso que participo depois de ser atingida pela paixão fotográfica.

Não ganhei mas também não fiquei triste pois as fotos vencedoras foram muito boas como pude ver no site. Avisaram que iriam colocar no ar também as fotos finalistas. Claro que a curiosidade era grande para examiná-las e olhar mais criticamente as que mandei para o concurso.

O tempo passou e nada de colocarem no ar as fotos... até hoje, quando recebi um e-mail avisando que as finalistas já estavam disponíveis.

Claro que fui imediatamente na página... e eis que encontro meu nome lá, representada com a foto de Kika, minha cunhada. Que felicidade!

Bom ver que o trabalho não está sendo em vão... que a alegria, o prazer e paixão que sinto é correspondida. Todo amor se quer amado. Toda foto quer ser exposta para mostrar seu momento fugidio, fixo de maneira mágica, para sempre.
foto: Márcia Novaes

quarta-feira, 26 de março de 2008

Encantamento



Meu professor - Hudson Malta - me emprestou um livro que indico a qualquer um no mundo que queira ver porque somos especiais e deveríamos ser agradecidos por vivermos aqui.


Um livro de puro encantamento.

Rain Forest - a photographic journey de Thomas Marent.

Cores, bichos, insetos, plantas...a cada página, um susto.

Li com os olhos bem abertos para nada me escapar. Quando percebia estava suspirando, fazendo Ohhhhhhhh!, pondo a mão na boca por puro espanto.
Não importa se em inglês... que a língua não seja impedimento para o que os olhos degustem tal fina iguaria.
Um livro que está à venda por quase duzentos reais mas procurando bem na internet, no site da livraria cultura você encontrar esse tesouro por menos de oitenta!!!
Um livro pesadão, capa dura, 360 páginas de cor, magia e natureza... ótimo presente para dar aos outros ou a si mesmo. Merecemos beleza.
Quem sabe assim, conhecendo mais o que se destrói tão displicentemente, não nos sentimos compelidos a mexer nossos corpinhos sedentários e nossas cabecinhas ególatras e preguiçosas a trabalhar pela não extinção desse mundo deslumbrante?

fotos: Thomas Marent

Não só de imagem se faz meu mundo


Uvas, as rubis.
Vulvas, as molhadas. Úmidas e sedentas. Desérticas e alagadas. Paradoxais e virgens da natureza.
Que se recolhem e se dão. Sempre puras em suas intenções. Dissonantes mas coerentes com suas harmonias orquestrais. Em um mundo de repressão respiram livremente e transpiram, abundantemente, não importando a convicção ou filosofia de suas donas.

foto e texto : Márcia Novaes

segunda-feira, 24 de março de 2008

Mutação




Depois do incidente do bambu-gigante, me transformei.
Agora subo montanhas, escorrego, tiro fotos, sou mordida por zilhões de insetos... mas sou feliz.

A vida se encheu de significado e objetivos.

Se bem que a transformação já havia começado antes... bem antes... antes dos 40, aos 39 do segundo tempo.

Depois que comprei uma máquina para tirar foto de bichinhos bem pequenos.

Depois que colei mais em meu pai para aprender e conhecer não só a arte da Fotografia...mas a Arte do Leo, o Amor do Leo, o jeito Leo de ser.

Depois que busquei mais minha família e só recebi amor, amor, amor.

Depois que percebi que a verdadeira religião - para mim - é amar a natureza em todos os seus aspectos...e aprender com ela.


E que botei não só os joelhos no chão mas minha cabeça em agradecimento por tudo.

Por viver com quem vivo, por estar cercada de amor, pelas pessoas que encontro e guardo pra mim.

Aí a fotografia tomou outro rumo e importância.

Ela é o meu pulsar.

Reflete como bate meu coração.

O encantamento de meus olhos e minha alma.

A alegria da infância escolhida, pega na surpresa, no susto da magia.

Que a beleza da vida seja sempre o melhor exemplo de luta, sobrevivência, cumplicidade, amor e equilíbrio... andamos tão incertos esses dias.

Que os insetinhos, em suas vidas tão pequenas, nos ensinem com suas cores e extravagâncias, o que tantas vezes teimamos em aprender.

Nascer, lutar e morrer.

Que sejam sempre por boas causas.

E que deixemos, no fim, só amor.


fotos: Márcia Novaes

A importância em ser consciente

Vivemos em um mundo que vai na direção contrária da própria natureza. Não por culpa desse mundo que seguia seu caminho com suas evoluções, tempestades, mutações... como qualquer ser gostaria mesmo atravessando as diversas fases que fazem uma vida.
Vida longa que teria este mundo... não fossem os homens e suas ambições, avarezas, mesquinharias, ganâncias, intolerâncias.
Cada dia me conscientizo mais da necessidade do trabalho individual, da postura pessoal, da atitude em coerência com o pensamento, da ética como ser vivente cuja máxima deveria ser o respeito e a fé pela vida.
Por isso dei uma de "Chico Mendes" semana passada quando ouvi barulho de machado, aquele barulho repetitivo que vai doendo se nos omitimos pois sabemos - não há como negar - que o corte é no tronco de alguma árvore, que a lâmina dói e que a morte chega no silêncio depois dos golpes.
Há um tempo já havia ouvido esses toques repetitivos vindo do mato ao lado de casa. Aquilo me incomodou um pouco mas deixei passar... tão ocupada com minha própria vida e seus afazeres.
Semana passada, como se uma segunda chance para me redimir de minha omissão... eis o mesmo barulho assombrando a mata. Não podia mais me calar.
Saí de casa correndo e adentrei o mato do jeito que estava. Dei de cara com dois homens cortando um bambu gigante. O machado nas mãos e, felizmente, uma cara conhecida. Nunca estamos sozinhos quando lutamos pelo bem.
Interpelei os homens - um dos quais conhecido meu - e falei do meio-ambiente, da lei, da necessidade de cuidarmos de nosso canto, do que nos cerca, do que nos alimenta. Os bambus iam virar adornos para uma loja de móveis. Quatro bambus-gigantes iam ser derrubados. Um já estava no chão, caído, derrotado.
Resumindo... graças à minha intervenção evitei a morte dos outros 3 bambus. Os empregados avisaram o patrão, repassaram o que eu havia dito ( especialmente a sanção judicial e consequente multa) e... FINAL FELIZ! Missão cancelada. - Quem deve, teme.
Muitas vezes é pouco o que podemos fazer... mas podemos. E isso nos deixa mais fortes.
Voltei para casa me sentindo uma gladiadora e agora busco meu exército.
Pois ele existe e cresce a cada dia.
E não tememos NADA.
Que venham os homens maus... nós temos a VIDA ao nosso lado.


foto: Márcia Novaes

quarta-feira, 19 de março de 2008

Pedra do Elefante


Hoje acordei cedo, peguei o ônibus para Teresópolis e fui encontrar Hudson Malta meu professor de fotografia. Demos início à segunda fase de nosso curso. A primeira fase foi ano passado sobre macrofotografia. Teoria e photoshop e a parte prática toda voltada às fotografias no extremo, na difícil arte de retratar insetos e outras coisas minúsculas. A segunda fase agora também é de extremo - como meu professor adora - e fomos em busca de montanhas e vistas altas.
Vou acabar entrando em forma pela fotografia... motivada a ter resistência e força para caminhar por trilhas íngremes e árduas ... sempre em busca da beleza. Sempre em busca do registro da natureza... como forma de troca por ser tão marcante e impressionante seu absoluto. Nesse ABSOLUTO acredito.
Fomos à Pedra do Elefante... uma caminhada "tranquila" para quem está acostumado a escaladas e esportes mais radicais. Nada que uma sedentária e simples mortal encarasse sem sacrifícios, suores e coração na boca. Sem contar o tombo na terra úmida... batizado que eu merecia!
Se valeu? Que venham as pedras do peixe, da tartaruga, de todos os bichos e seres possíveis pois nada se compara a estar lá em cima e de lá de cima ter a vista das nuvens, das montanhas, do TODO que nos cerca. E ainda ganhar de presente as curiosas cenas de insetinhos, aranhas, larvas e um incrível louva-a-deus.
Aprender fotometria com o professor que tenho e com essa natureza toda... bom... sem comentários. Falo mais de Hudson Malta depois ... esse grande fotógrafo e maior ainda amigo que ganhei ano passado. Graças a ele e a toda esse encantamento que ele proporciona à minha alma, serei eternamente grata.
E, como conhecimento puxa conhecimento, depois dessa etapa do curso de fotografia, virão outras focadas em outras áreas com suas respectivas dificuldades, técnicas e aprendizados. Além de um curso de montanhismo que até ontem não estava em meus planos mas que, graças a esse Elefante de pedra e a esse Homem de luz, já faz parte dos objetivos de 2008.


fotos: 1 - Hudson Malta - ao fundo, parte da Pedra do Elefante , 2 - foto tirada de cima da Pedra do Elefante - por Márcia Novaes

terça-feira, 18 de março de 2008

É preciso estudar


Tirar fotos por puro diletantismo pode ser fácil... afinal é só apertar um botãozinho. A máquina no automático, sem filme para rodar, sequer luz, velocidade, diafragma para imaginar ou programar. Afinal... podem pensar... quem não pode tirar uma foto boa?
Ah... claro! Todos podem, vez ou outra, tirar não só uma foto boa...mas uma foto ótima! E as fotos ruins a gente deleta, simples assim!
Agora... quem não gosta de ver a maioria de suas fotos sair boa, sem precisar dizer "foi só para registrar o momento..." como uma desculpa para aquele mal enquadramento, aquele corte nos pés ou de quem será aquela cabeça ou braço ou qualquer outro pedaço de corpo que ficou no meio do assunto a ser fotografado?
Sensibilidade, persistência e um bom equipamento ajudam, com certeza, mas sem a teoria, a técnica e a noção de certas regras fica dificil expandir o conhecimento que se reflete, que se revela no resultado final.
Livros sobre e de fotografia hoje em dia não faltam. Basta procurar nas livrarias e na internet que a oferta é ampla e diversificada. Livros básicos, bons e simples que trazem mastigados os truques e a malícia para uma boa foto.
Ou você acha que é fácil registrar o momento de pessoas, bichos e até mesmo paisagens... sem ter ao menos uma boa percepção dos elementos que compõem uma fotografia esteticamente agradável aos olhos?
Quase nunca é à toa que tal foto seja interessante... que tal imagem seja marcante... que certa fotografia seja forte demais até para se olhar duas vezes sem se emocionar.
Composição, enquadramento, linhas de direção e movimento, regra dos terços, qualidade e comprimento das ondas de luz, pontos de vista criativos e conteúdo são apenas alguns dos ítens que se deve ter em mente quando se sai, qual aventureiro, em busca de bons registros.
Para cada motivo, suas especificações e cuidados. Macrofotografia, fotografia de esportes radicais, fotografia social ( casamentos, batizados ), fotojornalismo, fotografia de moda, retrato, fotografia panorâmica, de animais selvagens, de flores, frutas, fotografia urbana, fotografia de arquitetura, paisagismo, fotografia de comida ( para anúncios, comerciais, propaganda)... são tantas as áreas!
E há um tão imenso complexo de equipamentos, câmeras, objetivas, conversores, filtros, adaptadores, flashes... uma infinidade!
Para cada estilo, noções diferentes. Equipamentos diferentes. Propostas, composições, conteúdos diferentes.
Não é tão fácil assim tirar boas fotos. Não desmerecendo o fotógrafo que apenas aperta o botão... propostas são propostas.
Mas para quem quer se aprofundar... para quem dá um primeiro passo dentro desse universo, fica logo a sugestão.
É preciso estudar. E muito. Ler, ler, ler. Quanto mais, melhor. Sempre.
E fotografar. Porque nem só de teoria vive o mundo.
Mas sem ela... o que seria de nós?


fotos: livros interessantes em inglês que dão informação, conteúdo, dicas, depoimentos de fotógrafos renomados... guias para Ação e Aventura, Pessoas e retratos, Paisagens e Fotografia Preto e Branco. Da Editora National Geographic que dispensa maiores comentários, não?

segunda-feira, 17 de março de 2008

O Espírito Santo



Sem saber comprei o espírito santo esculpido em madeira.
O pombo de asas abertas, a cabeça solenemente abaixada, um sol a explodir por trás. Os raios como asas maiores, luminosas, emoldurando as suas, tão pequenas para tanto vôo.
Um espírito santo feito em madeira, pintado de branco.
O pássaro, o astro de luz, os raios. Todos brancos. Como deve ser a folha antes da primeira palavra. Não importa se Verbo ou Substantivo. Tudo menos o pronome, aquele – próprio, que não seja ele, egocêntrico, o primeiro na origem da vida.
Chega de punhos batendo no peito como soldados romanos a se cumprimentarem.
Basta de primeiras pessoas sempre tão distantes de outras vozes.
Principalmente as passivas, essas pobres.
Em um mundo onde é preciso ação. Ser quem age, quem finca a lança no dorso divino e esquece-se, tão rapidamente, a mão que deu à boca a esponja embebida em vinagre.
Meu espírito santo ficará acima da janela.
Acima da mesa de onde escrevo.
Nos dias de chuva me lembrará da segunda chance dada à humanidade.
Nos dias de sol aproveitará a janela aberta para voar sem dizer pra onde.

Enquanto seu lobo não vem...


Ontem, apesar do tempo não estar firme, saímos de casa para caminhar. Após vários dias de chuva não víamos a hora de pôr as perninhas para fazer algum exercício. Sem guarda-chuvas, horário para voltar, compromissos.
Fomos de peito e pulmão abertos caminhar no bosque... no Parque Nacional da Serra dos Órgãos em Teresópolis. Há muito que queria ir não apenas para tirar fotos - foi o local onde fiz a parte prática do curso de macrofotografia ano passado - mas conhecer, desbravar e estar em contato com a natureza.
Nada melhor que caminhar então com os amigos. Uma analogia à vida... à necessidade de caminharmos acompanhados de verdadeiros amigos. Pessoas com quem trocar confidências, assuntos, experiências, falar bobagens e relaxar. O que seria de nós, seres humanos, trancados em questionamentos, dúvidas, incertezas e interiorizações se não fosse o "outro"? Aquele que nos faz ver quem somos. Quem nos situa muitas vezes no mundo e em nosso próprio dia-a-dia.
Afinal... são os outros, normalmente, a nossa referência de conhecimento. Pela aproximação ou afastamento, pelas afinidades ou discordâncias, pela simpatia ou desconfiança que vamos nos moldando e nos aproximando de nossos semelhantes. Porque semelhante busca semelhante...não há como fugir.

E assim fomos caminhando pelo mato adentro, descobrindo trilhas, metendo o pé na lama - literalmente - subindo, subindo, subindo... fomos ao mirante para ter a vista e a confirmação ( se é que ainda precisamos ) de como somos pequenos nesse mundo de nossos deuses. Todo o cansaço valeu a pena pois íamos conversando, rindo, observando detalhes e tons de verde. Até um tatu cruzou nosso caminho e ficamos, feito crianças, pasmos e encantados com esse bichinho tão interessante!
Até por uma trilha suspensa passamos... e ainda faltam muuuuitas trilhas, muitos caminhos a serem explorados.
O próximo, ainda no Parque Nacional da Serra dos Órgãos, será a trilha para a Pedra do Sino... mais de 10.000 m de altura.. é muita subida!!!
Se ficássemos com medo da chuva... nada aproveitaríamos. Necessária, bonita, presente dos deuses, a chuva que mata nossa sede e de tudo aqui em baixo, jamais pode ser desculpa para nos trancarmos em casa e esquecermos que a vida, embora um pouco mais molhada, pulsa lá fora.
Se pegássemos chuva no caminho... bom... seria um plus, um extra, um brinde que faríamos à nossa amizade.

E quem chegar por último à Pedra do Sino é mulher do padre!



fotos : Márcia Novaes

sábado, 15 de março de 2008

SE VOCÊ AINDA SE ESPANTA COM AS COISAS


Se você ainda se espanta com as coisas... bom sinal!!! O mundo está aí para mostrar que nunca é demais a surpresa . Nunca é demais o estranhamento, o susto com as belezas ou horrores que encontramos desprevinidos. Porque não dá para se estar atento o tempo todo com aquela atenção de quem "já sabe tudo" e nada desconhece. Até porque o grande barato das coisas é o deparar-se com o instigante, o mistério, o famoso desconhecido.
Não precisa muito para se encantar. Basta passear com olhos abertos e gentis... o olhar suave mas inteligente sobre as coisas... a alma em paz e feliz... assim encontraremos maravilhas antes inesperadas.
Viajar... como tenho falado por aqui... com os sentidos alertas para novos conhecimentos. Afinal, de que serve a vida se não fôr para aprendermos mais e mais e assim refinarmos a essência que trazemos dessa humanidade milenar?
Descobrir um novo jeito de sorrir em quem amamos, um brilho de olhar que traz profundidade e plenitude, um inseto que mostra suas cores e detalhes, uma cidade que abre caminhos novos - às vezes tortuosos, inclinados, amplos ... uma pedra de formato diferente, um novo escritor em alguma conversa despretensiosa, o cheiro da cachaça no alambique, o canto de um pássaro ao longe.

Se você ainda se espanta com as coisas... PARABÉNS!!! Você está vivendo de forma absoluta. E só posso lhe desejar que assim continue... como pintor que se surpreende tanto com as cores com que se expressa quanto com a tela branca, que o desafia.


fotos: Márcia Novaes

quinta-feira, 13 de março de 2008

Bicho-grilo colorido






Só para variar um pouco de assunto... pois viajo também e muito nesse mundo diminuto dos insetos que descobri com a macrofotografia.
A diversidade de espécies, cores, formatos.. é espantosa. Melhor que registrar essa beleza é aprender com ela. Afinal nem só de paisagens e outras cidades nossos pensamentos e atitudes são feitos. Podemos aprender e exercitar nossa sensibilidade com tudo que nos cerca. E muitas vezes aquela picada que coça no pé ou no tornozelo pode significar mais do que simplesmente uma coisa chata... pode ser uma boa oportunidade para olharmos para baixo e percebermos que... uau! que mundo interessante!
Esse post é apenas um mostra ínfima de como pode ser divertido tentarmos descobrir de quantos tons e combinações pode ser feita a matemática da vida.



Fotos: Márcia Novaes

terça-feira, 11 de março de 2008

Tempos diferentes



O tempo e o espaço, em cidades antigas e pequenas, se fazem sentir de outra forma. Talvez pelo passado que carregam, pela história que tem seu peso, pelo ritmo diferente das coisas...e por isso precisamos, nós - que somos de cidades maiores e mais movimentadas - desacelerar a visão, a percepção e até mesmo o encantamento. Viciados que estamos em rapidez, não percebemos as sutilezas que existem em todo lugar. Só mesmo estando imersos em outra realidade para perceber que alma exige calma. E que às vezes é necessário - para não dizer imperativo - obedecê-la.
Infelizmente só percebemos o quanto é importante parar para reavaliar o valor das coisas e a atenção que dispensamos ao que nos cerca quando tragédias ou pêrdas acontecem. Talvez por isso seja interessante, de vez em quando, sair um pouco de onde se está acostumado. Mudar as referências ou, simplesmente, perdê-las para adquirir novas, cheias de vida e significados.
Falo isso por sempre ter sido alguém que precisasse de certezas, horários marcados, compromissos bem definidos e se, possível, sem imprevistos. Alguém que evitaria muitas novidades por, simplesmente, não saber como encará-las com sucesso... o famoso medo do desconhecido que todos temos em maior ou menor grau.
Viajar é se lançar ao desconhecido. Se permitir deixar o ritmo do lugar fluir em seu próprio movimento. É apurar o olhar e deixá-lo cair como um manto, uma névoa, garoa fina que a tudo cobre... sem pressa e levemente.
E voltar para casa repleto de imagens, sons, cheiros, brisas, vozes, sonhos.


foto 1- São João del Rey / foto 2 - Tiradentes
por Márcia Novaes

segunda-feira, 10 de março de 2008

Caminhos




Dizem que todos os caminhos levam à Roma... eu digo que todos os caminhos levam ao conhecimento... dos lugares, das pessoas, de si mesmo.
Todos os passos que damos nos levam também a alguma lugar... mais perto ou longe de onde queremos ou precisamos estar.
Ouro Preto, inevitavelmente, nos leva a pensar em passos, caminhos, a fazer analogias em relação à vida e a tudo que a cerca e a alimenta. Provável pelo número absurdo de subidas e descidas, pelo chão de "pé-de-moleque", pela calçada estreita - às vezes inexistente - da cidade.
Quantas vezes não parei para tomar fôlego em nossas andanças fotográficas no começo do dia. Meu pai à frente, verdadeiro e experiente caminhante, abrindo o caminho, me levando a descobrir becos, paisagens, lugares e momentos.
Foram muitas as fotos e, mesmo assim, não deu para registrar a beleza da vida em Ouro Preto como de fato a vi. Fica apenas um rápido piscar de olhos. E a necessidade que se vá, pessoalmente, conhecer.
E que não se demore... pois Ouro Preto não é cidade para pernas fracas ou almas desanimadas.

fotos: Márcia Novaes

Meus companheiros de viagem


Foram mais de 800 km percorridos com muitas paradas... momentos que fizeram a viagem inesquecível pois todo instante mágico era prazerosa e tranquilamente sentido, sem pressa para chegarmos aos nossos destinos. Destinos que soavam mais como uma desculpa para estarmos juntos fazendo essa viagem de comunhão e resgate.. tanto do passado como do presente, celebrando a vida e o amor que nos unia.
Ouro Branco, Ouro Preto, Mariana, Prados, Lagoa Dourada, São João del Rey, Congonhas e Tiradentes. Cada cidade com seu charme, história e referência para meu pai e meu tio. Talvez por isso tenha sido tão especial e soubemos, tenho certeza, tia Lucinha e eu, apreciar e acompanhar a verdadeira viagem que esses dois irmãos estavam fazendo. Lembranças, infâncias, histórias e "causos"... foram diversos os motivos para celebrar, inúmeros os "tim-tins" que demos com suco, refrigerante e cerveja... muita cervejinha... eles merecem.


foto: tia Lucinha, tio Haroldo e papai
por Márcia Novaes

sexta-feira, 7 de março de 2008

Viagem


Foram apenas cinco dias mas o suficiente para deixar a alma mais leve e renovada. Sem conotações puramente espirituais... viajar parece que alimenta o pensamento. Ver coisas novas, vivenciar pessoas em outras realidades, ver outras paisagens, ruas, calçamentos, lojas, ouvir outra forma de falar, estar no meio de outra forma de viver. Porque todos somos diferentes e, em outras cidades, reagimos diferentemente.

O interior de Minas é mais silencioso. E esse silêncio parece entrar pelos poros, modificar a respiração.

Tudo é tempo de contemplação e passos. Porque foram muitos os dados nestes dias em que parávamos sempre que havia algo que chamasse a atenção, sem pressa de chegar ao destino pois nosso destino era o do caminho. Asfalto, terra, pedra.

Ouro Branco, Ouro Preto, Mariana, Congonhas, Prados, Lagoa Dourada, São João del Rey e Tiradentes. Cada cidade com seu rosto.

Suas pessoas, igrejas, cruzes.

Seus cachorros nas ruas.

Em cada cidade acordávamos cedo - meu pai e eu - e, antes das 7 da manhã já estávamos caminhando pelas ruas tão desconhecidas para mim apenas. Tirando fotos, observando, vendo que a grande magia da fotografia é o revelar que acontece por dentro.
foto: Márcia Novaes

quinta-feira, 6 de março de 2008

E por falar em AMOR...




Sei que ainda não falei de amor por aqui... muito menos relacionamentos que não impliquem amor propriamente dito mas uma grande necessidade de se expressar sexualmente... o mundo dos pequenininhos dentro desse mundo maior em que vivemos também se movimenta e se assanha! E como dizem os mais estudados... se os insetos fossem maiores, provavelmente dominariam o mundo pois estão em muito maior número que qualquer outra espécie ou espécies juntas!!! Adivinha o motivo!!!
fotos: Márcia Novaes

Voltei!!!




Voltei da viagem por algumas cidades históricas de Minas Gerais com 972 fotos tiradas! Acho que assim bato o record do Guiness! Agora só me resta o árduo trabalho de selecionar, escolher bem escolhido o que postar por aqui. Por enquanto ponho algumas fotos de macrofotografia - o que quase não tirei por lá...
fotos: Márcia Novaes