Hoje leio no jornal que há 18 anos morria Cazuza. 32 anos de idade.
Há 18 anos eu tinha dez a menos que ele. Tanto tempo parecia nos separar.
Hoje, com 40, olho para trás e o vejo lá longe. Ficou na estrada com outros tantos. A mesma estrada onde ainda caminho. Hoje.
O tempo apaga a matéria mas não a lembrança.
O tempo desfaz contornos, desfoca detalhes, perde tantas vezes o verdadeiro tom das vozes de quem tanto amamos um dia. Pessoas, lugares, seres que nos disseram muito e calaram fundo em nosso peito e olhar.
O tempo dissolve muita coisa. E às vezes não queremos que se dissipe o que nos foi importante. Queremos retornar, sempre, àquele sorriso de quem já não está conosco.
Rever aquela rua... hoje tão diferente.
O carro onde andávamos no banco de trás por sermos pequenos, os braços em volta do pescoço da mãe, o vapor de nossa respiração no vidro da janela.
Talvez por isso hoje perceba a importância da fotografia. E isso me apaixona mais. Já que é vida que ela traz.
É presença. Lembrança. Beleza.
O que fomos, o que amamos, o que o tempo levou mas que ninguém pode duvidar que existiu. Olha lá... está registrado. Para sempre eternizado neste mundo de concretudes. É real. Palpável.
Tão real e palpável como o amor que sentimos quando revemos fotos antigas. A família ainda inteira. Os primos. Avós.
Revigorados pelos detalhes que havíamos esquecidos, nos tornamos mais fortes, sonhadores, esperançosos de que tudo seja melhor...já que tivemos um passado tão lindo.
Revigorados pelos detalhes que havíamos esquecidos, nos tornamos mais fortes, sonhadores, esperançosos de que tudo seja melhor...já que tivemos um passado tão lindo.
Que o futuro seja ainda mais belo.
Longa vida à fotografia.
foto: Márcia Novaes - Ouro Preto

Um comentário:
Passei só para dizer que adoro seus textos, as fotos e a forma como eles se completam!
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