sexta-feira, 4 de abril de 2008

O tempo



Hoje leio no jornal que há 18 anos morria Cazuza. 32 anos de idade.

Há 18 anos eu tinha dez a menos que ele. Tanto tempo parecia nos separar.

Hoje, com 40, olho para trás e o vejo lá longe. Ficou na estrada com outros tantos. A mesma estrada onde ainda caminho. Hoje.
O tempo apaga a matéria mas não a lembrança.

O tempo desfaz contornos, desfoca detalhes, perde tantas vezes o verdadeiro tom das vozes de quem tanto amamos um dia. Pessoas, lugares, seres que nos disseram muito e calaram fundo em nosso peito e olhar.
O tempo dissolve muita coisa. E às vezes não queremos que se dissipe o que nos foi importante. Queremos retornar, sempre, àquele sorriso de quem já não está conosco.
Rever aquela rua... hoje tão diferente.
O carro onde andávamos no banco de trás por sermos pequenos, os braços em volta do pescoço da mãe, o vapor de nossa respiração no vidro da janela.
Talvez por isso hoje perceba a importância da fotografia. E isso me apaixona mais. Já que é vida que ela traz.
É presença. Lembrança. Beleza.
O que fomos, o que amamos, o que o tempo levou mas que ninguém pode duvidar que existiu. Olha lá... está registrado. Para sempre eternizado neste mundo de concretudes. É real. Palpável.
Tão real e palpável como o amor que sentimos quando revemos fotos antigas. A família ainda inteira. Os primos. Avós.
Revigorados pelos detalhes que havíamos esquecidos, nos tornamos mais fortes, sonhadores, esperançosos de que tudo seja melhor...já que tivemos um passado tão lindo.
Que o futuro seja ainda mais belo.
Longa vida à fotografia.
foto: Márcia Novaes - Ouro Preto

Um comentário:

Roneyb disse...

Passei só para dizer que adoro seus textos, as fotos e a forma como eles se completam!